Você já foi acordado no meio da noite por causa do próprio ronco ou já precisou dar aquela famosa “cutucada” no parceiro? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. De acordo com a Associação Brasileira do Sono, cerca de 40% dos adultos no Brasil roncam. No entanto, o que muitas pessoas consideram apenas um incômodo noturno ou um simples “barulho” pode ser, na verdade, a ponta do iceberg para um problema muito mais sério: a apneia do sono.
No episódio 4 da 4ª temporada do Barralife Talks, a Dra. Márcia Tavares recebeu duas grandes especialistas do corpo médico do Barralife Medical Center para desmistificar o assunto: a Dra. Lisa Campbell, médica otorrinolaringologista da Clinica Otolife, e a Dra. Tatiana Franco, cirurgiã-dentista.
Por que nós roncamos? Entendendo as Causas
O ronco é, essencialmente, o barulho causado pela vibração dos tecidos da via aérea quando o ar passa com dificuldade. Na fase adulta, as causas anatômicas são variadas. Podem envolver desde um desvio de septo e rinite crônica até a flacidez do palato e hipertrofia das amígdalas.
Além disso, a obesidade é um fator de risco fortíssimo. O tecido adiposo não se acumula apenas no abdômen, mas também na região da faringe, estreitando a passagem de ar e favorecendo tanto o ronco quanto as paradas respiratórias características da apneia. Nas crianças, o ronco frequentemente está ligado ao aumento das amígdalas e adenoides, além da respiração bucal, que pode causar alterações no crescimento facial, hiperatividade e até dificuldades de aprendizado.
O Papel Fundamental da Odontologia e da Otorrinolaringologia
Muitas vezes, é na cadeira do dentista que o primeiro sinal de alerta acende. Ao fazer uma avaliação de rotina, o profissional atento percebe sinais como céu da boca profundo, alterações na mandíbula ou desgaste dentário. Sendo assim, a odontologia do sono atua como uma ponte crucial para o diagnóstico precoce, utilizando recursos como a polissonografia domiciliar (exames tipo 4, como o Biologix) para monitorar o sono do paciente no conforto de casa.
Quando há suspeita de apneia, o trabalho multidisciplinar entra em cena. A otorrinolaringologia avalia toda a estrutura respiratória, podendo recorrer a exames de imagem, polissonografia clínica ou até a sonoendoscopia (DISE), onde o paciente é levemente sedado para que a equipe médica observe exatamente onde a via aérea está obstruindo durante o sono.
Riscos de Não Tratar a Apneia do Sono
Aceitar o ronco como algo normal, principalmente com o avanço da idade, é um erro perigoso. Com o envelhecimento natural e a perda de colágeno, os tecidos da garganta ficam mais flácidos. Contudo, roncar não é o padrão de um envelhecimento saudável.
Quando a apneia do sono não é tratada, o corpo sofre com microdespertares e quedas na oxigenação do sangue. Por isso, os riscos associados são severos: desenvolvimento de doenças cardiovasculares, infarto, arritmias, hipertensão, AVC e até aumento do risco de doenças neurodegenerativas, como sintomas semelhantes ao Alzheimer devido à perda de memória e cansaço extremo.
Resolver o problema indo dormir em quartos separados (o famoso “divórcio do sono”) soluciona apenas a questão do ruído para o parceiro, mas mantém o roncador totalmente exposto a riscos, inclusive o de morte súbita noturna.
Tratamentos Inovadores: Do CPAP às Cirurgias
A boa notícia é que a medicina do sono evoluiu imensamente. Existem diversas opções de tratamento, que vão desde abordagens conservadoras até as cirúrgicas, dependendo do grau do distúrbio e da anatomia de cada paciente.
- CPAP: É considerado o padrão-ouro, especialmente para apneias graves, pois mantém a via aérea aberta através de pressão de ar. O segredo para o sucesso é o acompanhamento médico próximo para uma boa adaptação.
- Aparelhos Intraorais: Moldados por dentistas, eles projetam a mandíbula levemente para a frente durante o sono, abrindo espaço para a passagem do ar. São confortáveis e excelentes para casos leves e moderados.
- Laser Er:YAG: Uma tecnologia inovadora aplicada por dentistas capacitados que estimula a formação de colágeno no palato mole, tonificando a musculatura e reduzindo drasticamente a vibração do ronco sem dor.
- Cirurgias Otorrinolaringológicas: Para pacientes com indicação anatômica específica, cirurgias como a correção de septo ou faringoplastias são realizadas. Tecnologias modernas, como o Coblation (que remove tecidos por radiofrequência sem usar calor intenso), proporcionam um pós-operatório com muito menos dor e sangramento.
Portanto, a união entre a mudança no estilo de vida (como o controle de peso) e a adoção do tratamento adequado indicado pelos especialistas é a chave para recuperar a qualidade de vida.
Roncar não é normal e a apneia é uma condição médica séria. Não deixe a sua saúde para depois. O seu sono e o seu corpo agradecem.
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